Rehder Arquitetura de Interiores

Da ideia ao papel: a importância do estudo preliminar

Da ideia ao papel: a importância do estudo preliminar

Essa é a primeira vez que a casa deixa de ser uma ideia e começa a tomar forma, dimensão e posição. Saiba avaliar o que é importante nessa etapa do projeto. (Créditos: Acervo Rehder).

Ao procurar um escritório de arquitetura, com certeza um dos primeiros assuntos que surge é o “estudo preliminar”, e se você não sabe nem o que significa, não se preocupe, explicaremos todos os detalhes por aqui.

Para começar, o estudo preliminar é uma proposta, a primeira aposta do arquiteto sobre como a sua casa pode ser. Ele ancora a conversa entre proprietário e profissional numa base concreta, transforma o briefing em espaço e abre o processo de refinamento que vai culminar no projeto executivo.

Por isso, a reunião de apresentação do estudo preliminar é uma das mais importantes de todo o processo. O proprietário que chega a ela sabendo o que perguntar, e o que observar, toma decisões melhores, dá feedback mais preciso e economiza tempo e energia nas revisões seguintes.

Vamos saber mais?

 

O estudo preliminar dentro do processo 

 

01

Briefing

Levantamento do modo de vida, programa e intenções da família

02

Levantamento

Topografia, orientação solar, regulamento do condomínio, condicionantes do terreno

03

Estudo preliminar

Primeira proposta de implantação, partido e volumetria — você está aqui

04

Anteprojeto

Desenvolvimento e detalhamento após aprovação do partido

05

Executivo

Projeto completo para aprovação e execução de obra

 

O partido arquitetônico: a ideia que você precisa entender primeiro

O partido arquitetônico é o que dá início ao processo, pois justifica as escolhas e cria coerência entre os detalhes.  (Créditos: Magnific - FreePik).

Antes de avaliar qualquer detalhe da planta, por exemplo: se a suíte principal ficou grande o suficiente, se a garagem tem fácil acesso, ou se a cozinha está bem-posicionada, o proprietário precisa entender o partido arquitetônico, afinal é ele que organiza todas as demais decisões e o que precisa estar certo primeiro.

O partido é a ideia geradora do projeto, ele pode ser:

Espacial: quando a casa que se organiza em torno de um pátio central.

De implantação: em que a casa que se encosta numa divisa para liberar o jardim principal.

Volumétrico: a casa que desce o terreno em três platôs, fazendo do desnível um argumento, não um problema.

De relação com o entorno: a casa que se volta completamente para a vista dos fundos e cria privacidade total em relação à entrada.

Quando bem formulado, o partido justifica as escolhas e cria coerência entre eles. Agora, quando ausente ou confuso, os detalhes não se sustentam e nenhuma revisão de planta vai resolver o problema de raiz.

Ao chegar à primeira reunião de estudo preliminar, a primeira pergunta que você deve fazer é: “qual a ideia central desse projeto?”. Se o arquiteto não responder com clareza, algo precisa ser revisto antes de qualquer detalhe.

 

As perguntas certas para avaliar o estudo preliminar

 

01) Qual é o partido, ele corresponde ao que conversamos no briefing?

O partido precisa derivar do modo de vida da família e do potencial do terreno. Se parece genérico ou desconexo do que foi discutido, peça ao arquiteto que explique o raciocínio.

02) Como a casa se implanta no terreno e por que essa posição?

A implantação deve ter justificativa: orientação solar, relação com a topografia, aproveitamento de vistas, privacidade em relação à rua. Se a posição parece arbitrária, questione.

03) Como a luz natural se comporta nos ambientes de uso mais frequente?

Sala de estar, cozinha e suíte principal devem ter luz estudada, e não apenas janelas por obrigação. O arquiteto deve dizer quando o sol entra em cada ambiente e como isso foi considerado.

04) O programa está completo e a distribuição faz sentido para o nosso modo de vida?

Verifique se todos os ambientes do briefing estão presentes. Avalie as relações: a cozinha está próxima da área de serviço? O quarto das crianças está longe da área social noturna? A suíte tem a privacidade necessária?

05) As circulações têm lógica ou existem desperdícios de área?

Corredores longos sem função, acessos tortuosos, áreas de transição excessivas são sinais de partido mal resolvido. Boas circulações também são espaços e devem ter qualidade, não apenas funcionalidade.

06) A relação interior-exterior está resolvida?

Em casas de alto padrão, a integração com jardim, piscina e paisagem é central. Observe como a sala se conecta à área externa, como a suíte se relaciona com o jardim privativo, e como a vista principal foi aproveitada.

07) A volumetria tem coerência com o partido?

O que aparece nas fachadas e cortes deve derivar do partido, não ser uma decisão estética independente. A forma da casa deve ter relação com como ela funciona e como se implanta no terreno.

08) O projeto respeita e aproveita os parâmetros do condomínio?

Em condomínios fechados de alto padrão, os regulamentos internos estabelecem afastamentos, gabaritos e diretrizes de fachada. O projeto deve operar dentro dessas normas com naturalidade e não apenas cumpri-las.

 

Como dar um feedback que avança o projeto

Em resumo, o estudo preliminar é o momento de revisar o partido e a estrutura geral do projeto, e quando o feedback é bem direcionado, economiza revisões nas fases seguintes, quando mudanças são progressivamente mais custosas.

A distinção mais importante a fazer, é separar o que incomoda por razões funcionais do que incomoda por razões estéticas que podem ser provisórias. O primeiro tipo de feedback deve ser levado ao arquiteto imediatamente. O segundo merece um tempo de maturação antes de se tornar um pedido de revisão.

Quando o processo é bom, inclui a disposição de ser convencido. Nem toda decisão que parece estranha à primeira vista é um erro, algumas são soluções que precisam de explicação para fazer sentido. Lembre-se de que é importante perguntar antes de pedir mudança, por exemplo: “Por que essa escolha?”, isso frequentemente revela um raciocínio que muda completamente a percepção.

O estudo preliminar deve estar certo na sua estrutura, com o partido sólido, a implantação justificada e o programa correto, afinal essas são as bases sobre as quais o projeto inteiro será construído. Mudar esses elementos depois custa muito mais do que revisá-los nessa etapa.

 

E depois do estudo preliminar aprovado?

Com o estudo preliminar aprovado, é hora de iniciar o anteprojeto, quando os ambientes são aprofundados e a documentação técnica torna-se capaz de orientar uma obra. (Créditos: Acervo Rehder).

 

Uma vez que o partido e a estrutura geral do projeto foram validados pelo proprietário, o projeto entra na fase de anteprojeto onde os ambientes ganham dimensões definitivas, os sistemas prediais começam a ser coordenados e as especificações de materiais e acabamentos são introduzidas. É um aprofundamento progressivo que transforma a ideia em documentação técnica capaz de orientar uma obra.

A clareza e a qualidade do estudo preliminar definem diretamente a qualidade do que vem depois. Um partido bem resolvido nessa fase se desdobra em um anteprojeto coerente e em um projeto executivo preciso. Um partido mal resolvido, ou aprovado às pressas, tende a gerar revisões em cascata que comprometem o prazo e a confiança entre proprietário e arquiteto.

Nessa fase, o investimento de tempo é o que mais vale. Portanto, a reunião de estudo preliminar merece atenção completa, perguntas preparadas e a disposição de ir além do que aparece na primeira folha da planta.

Se você procura um escritório que investe tempo de qualidade e está alinhado com todas as etapas do projeto, entre em contato agora conosco para realizar o projeto da sua casa como vocês sempre sonhou! 

conteúdo exclusivo e diário